09/06/2025 | Por: Redação IMCE/ Félix Galvão
Alquimia Tropical emocionou a noite teresinense no palco do palácio da música. (Foto: Félix Galvão)
Na noite de ontem, o palco se vestiu de afeto, poesia e luta com a apresentação especial do trio Alquimia Tropical, em homenagem à grande Maria Bethânia. O show, intimista e profundamente sensível, foi um convite à contemplação — tanto da beleza da música quanto das dores e esperanças de um Brasil ainda em processo de cura.

Formado por três artistas piauienses — Aivlis Amorim, Maria Medeiros e Monise Borges — o Alquimia Tropical não apenas canta: elas encantam, curam e provocam. Cada uma das integrantes levou ao palco sua força individual em apresentações solo que dialogavam com a potência coletiva do trio. Aivlis, com sua presença magnética; Maria, com sua entrega emocional; e Monise, com sua voz firme e sensível, conduziram o público por uma travessia emocional — ora pela doçura das canções de Bethânia, ora pelo grito necessário da resistência.

Um dos momentos mais comoventes da noite foi protagonizado por Aivlis Amorim, que interpretou a intensa e dolorosa "Balada de Gisberta" — uma homenagem às pessoas trans, que diariamente enfrentam o preconceito, a violência e o apagamento. Pessoas que são julgadas, apedrejadas e mortas todos os dias por simplesmente existirem. Naquele instante, a canção virou escudo, afago e denúncia.

Já nos momentos finais do espetáculo, ocorreu um especial anti-ditadura, reafirmando a importância da memória política e do papel da arte como instrumento de liberdade. A apresentação trouxe à tona a força da canção como denúncia, resistência e lembrança viva de tempos que não podem ser esquecidos.

Alquimia Tropical é leveza sem ser superficial. É beleza sem ser decorativa. É resistência sem perder a ternura. É uma banda única em Teresina — e no Piauí — por sua capacidade de reunir música, identidade, território e causa num só corpo artístico.
Elas são do Piauí, e carregam essa origem com orgulho e sofisticação. O show de ontem não foi apenas uma homenagem a Maria Bethânia. Foi uma oração coletiva — um rito de amor à arte, às vidas dissidentes e à liberdade.
Como disse a própria Bethânia, na canção que parece costurar tudo isso:
“Tempo, tempo, tempo, tempo / És um dos deuses mais lindos...”